Se lembra de quando eu te impedi de pular? Quem está fazendo isso agora? Se lembra de quando eu fiz silêncio nos seus momentos de raiva? Quem vai te desafiar agora? Se lembra das verdades com que ataquei a mentira do seu pessimismo? Quem vai te mostrar a estrada agora? Agora… Parte.
Não minta, não diga que cresceu… Você sempre precisou de alguém pra quem mostrar sua terra do nunca, e agora parte. Eu me escondo em arbustos pra tomar conta de você menina, te sigo pra saber por onde você anda, na ponta dos pés, observando se seus olhos voltarão a ficar vazios. E se ficarem? Você jamais entendeu que minha covardia era a maior coragem que havia em mim, pra largar sua mão e te ver caminhar.
Você sempre me chamava de volta pra desistir, e eu quase cedi por muitas vezes. Foi necessário te machucar pra que você entendesse que ter sangue é estar vivo. E agora parte… Você sorri pras desgraças, você odeia minhas lembranças e me apaga de você, mas sou que eu vou aos teus sonhos te ouvir chorar. A menina que queria ser gente grande, e agora parte…
Eu tomei conta de você, e ter ver chorar era uma fracasso. Era hora de partir, e deixar que alguém fizesse a parte que não cabia mais a mim. Eu até insisti em tentar, mas não era mais a minha vez. E você não entendeu nada, e nem entenderá, pois agora parte. Também chorei, rasguei as fotografias, com exceção de uma, pra ter forças e fazer o correto.
Você não pode mais me ferir, pois só pode quem amo, e assim permito. É minha vez, e farei o que puder, pra quem eu puder. Mas não pense que eu disse algo em vão. Estou sempre olhando por você, e se eu precisar, me coloco entre você e o abismo novamente. Mas agora… agora parte.
Só não esqueça… Por favor, não esqueça.









